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Experiências Fora do Corpo – Uma possibilidade humana

Por Horácio Frazão

Partindo do pressuposto de que a consciência não é uma função cerebral e sim uma entidade espiritual, podemos admitir a possibilidade de experimentar o funcionamento de nossa percepção em um nível não físico ou extra-físico, sem a limitação de um sistema biológico, o corpo.

A interação consciência-corpo nos dá a impressão de que somos as nossas cabeças constituídos por um grupo de apêndices utilitários para cumprir com aquilo que se passa pelo cérebro. Mas avaliando bem essa questão, chegamos a um ponto interessante. De qualquer forma a expressão da consciência é insubstancial, imaterial. Não se tem como medir a consciência, ou até mesmo dizer o local no espaço que ela ocupa, muito menos incorrer na crença de que a mesma seja gerada pelo cérebro. Porém, em determinadas condições torna-se possível projetar o foco da consciência para além dos limites do corpo, liberando o funcionamento da cognição dos mecanismos sensório-motor físicos.

Tal experiência é denominada de experiências fora do Corpo. Nesta, o indivíduo se percebe exercendo a capacidade do pensamento e se reconhece como uma entidade emocional, preservando a sua lógica, sua razão, porém destituída de materialidade. Isto favorece a percepção que passa a operar numa perspectiva muito mais dinâmica e rica em recursos extra-sensoriais. Esta possibilidade humana vem sendo experimentada desde os períodos mais antigos, detendo uma vasta sinonímia dependendo da cultura e das linhas filosóficas que a estudou. Existem registros históricos de tais experiências na Grécia antiga, no oriente, e até mesmo em algumas tribos indígenas. E atualmente, muitas pessoas em diversas partes do globo, vêm relatando vivências extra-físicas a partir desta possibilidade.

Entretanto, ainda é muito pequeno o número de pessoas que relatam vivenciar o fenômeno de maneira consciente. Isto ocorre, pois tal processo exige que o indivíduo se reconheça ou aceite a condição de ser algo que independa do corpo. Infelizmente, tivemos momentos na história em que houve a quebra do relacionamento entre a consciência e o corpo. Esta dicotomia foi o marco para o ingresso na era do racionalismo materialista, era esta em que o ser humano foi obrigado a se aceitar como um produto da matéria bem como da sociedade.

Assim, o princípio espiritual que anima e que sente a vida através do corpo ficou cada vez mais discreto e desbotado dentro do ‘Homem’, limitando sua percepção aos meros cinco sentidos físicos, e fazendo com que o alcance de seu pensamento não extrapolasse a matéria visível.

Entretanto, possuímos ainda internamente a “assinatura” espiritual que nos gera o ímpeto de buscar um sentido na vida. Podemos nos predispor a vivenciar tal experiência que nos fornece in loco a confirmação de que somos mais do que nos ensinaram a acreditar. Esta confirmação é determinante para que mudemos a visão de mundo, para uma visão mais integrativa e harmônica de realidade.

O fenômeno da experiência fora do corpo é uma função espiritual que se entrelaça com o funcionamento de nossa fisiologia. Sendo assim, podemos dizer de que se trata de um processo parafisiológico. Qualquer pessoa, disposta a aprender a controlar sua fisiologia em um certo nível e suficientemente “aberta” para essa possibilidade espiritual, pode induzir de maneira sistematizada a projeção de sua consciência para fora do corpo e experimentar um outro plano de realidade dotado de um amplo espectro de experiências.

Como mencionamos anteriormente, a experiência fora do corpo é um fenômeno que relaciona os sentidos espirituais da consciência com as funções fisiológicas do corpo. Pois a indução do processo a priori, envolve a capacidade de manipular a fisiologia e levar o corpo a um nível de funcionamento mais lento do que o normal, no qual o metabolismo reduz a sua atividade. Isto é alcançado facilmente a partir de técnicas de relaxamento consciente (relaxamento autógeno). Com a prática do relaxamento consciente, gradativamente se aprende a exercer o domínio da mente sobre o corpo e constata-se que de fato, com uma mente focalizada e tranqüila, torna-se possível controlar as funções vitais.

O ato de relaxar o corpo e manter a mente passivamente atenta, promove um estímulo de sensibilização que pouco a pouco, faz com que o praticante se sinta psíquica e espiritualmente corporificado a medida em que o corpo físico vai sendo desligado até o momento em que o mesmo não oferece mais estímulo para atrair a atenção do praticante. Geralmente quando se atinge esse nível de relaxamento, sem deixar que a mente entre em devaneios ou se apague, é atingido uma área psíquica fronteiriça entre o estado de vigília física ordinária e o sono. Esta “região” percebida mentalmente nesta fase da experiência é exatamente uma zona psíquica na qual a realidade física percebida vai pouco a pouco se fragmentando e distanciando da função cognitiva linear, dando lugar a percepção de um outro nível de realidade: a realidade extra-física. A percepção desta realidade se dá pela ativação de uma gama de sentidos espirituais, isto é, sentidos inerentes a um sistema energético que nos habilita interagir com a realidade extra-física.

Da mesma forma que utilizamos um sistema biológico físico para experimentar a realidade física a nossa volta, na realidade extra-física utilizamos de um sistema energético, que poderíamos também chamar de corpo espiritual. Tal corpo é comumente conhecido como: corpo astral, psicossoma, perispírito e muitos outros nomes se levarmos em conta as linhas de estudos que tratam do assunto. Tal corpo psicossomático, é constituído por padrões emocionais, que induzem a resposta biológica do corpo físico. Seria algo como uma fôrma de bolo. A fôrma seria o sistema psicossomático e o bolo o corpo físico.

Este corpo espiritual durante o período em que o corpo físico se encontra em plena atividade, se mantém sincronizado permeando toda a dimensão corporal física e induzindo o extravasamento das emoções em reações psico-fisiológicas, que nos promovem motivação para experimentar a realidade. Poderíamos dizer que é basicamente através deste corpo que a consciência controla o sistema físico. Os sentidos espirituais deste sistema energético, geralmente no dia-a-dia, estão todos voltados para nós mesmos ressaltando as nossas emoções e os impactos das mesmas, isto quando não nos perdemos com a nossa própria atividade emocional. Já na experiência fora do corpo, esses sentidos são direcionados para além do corpo, e é isso que nos faz conceber e reagir diante da realidade extra-física.

Comumente as pessoas se assustam e se amedrontam quando começam a avançar nos exercícios indutores de experiências fora do corpo, em virtude da abertura da percepção espiritual que começa a ocorrer durante a sensibilização pelo exercício. Reações sintomáticas que evidenciam a transferência e o direcionamento do foco de consciência do físico para o extra-físico são bem impactantes por serem reações energéticas bem ostensivas. As reações mais comuns decorrentes da sensibilização pelo exercício são: ondas vibracionais varrendo o corpo, expansão das energias espirituais psicossomáticas para além do corpo causando a impressão de que o corpo está inchando, sensação de ruídos intra-cranianos e impossibilidade de mobilidade física. Vale ressaltar, que as reações acima citadas podem ocorrer em conjunto, como também isoladamente.

Tais reações indicam que se está na eminência de se projetar a consciência para além do corpo. Se durante o exercício, o praticante conseguir superar esta fase rica em efeitos energéticos sem se desestabilizar emocionalmente, o mesmo se perceberá deslocando numa agradável sensação de flutuação para em seguida ter a incrível constatação de que existe como um ser pensante destituído do corpo físico. O que chancela a experiência como uma experiência real é a capacidade de racionalizar e pensar por outra perspectiva, além de perceber o corpo físico diretamente, a partir da perspectiva espiritual.



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